Definição de Suicídio
Segundo Durkheim, sociólogo francês que em
1897 publicou um importante livro sobre este
tema, o suicídio pode definir-se como "todo
o caso de morte que resulta directa ou indirectamente
de um acto positivo ou negativo praticado
pela própria vítima, acto que a vítima saber
produzir esse resultado."
No mesmo sentido, Halbwachs (1930) escreveu
que "o que distingue um suicídio externamente
de qualquer tipo de morte é ser realizado
com instrumento ou meios que nos levam a assumir
que o sujeito pretende morrer".
Em Portugal, Vaz Serra (1971) utiliza uma
definição pragmática: "auto-destruição por
um acto deliberadamente realizado para concretizar
este fim"
O Suicídio pode ser estudado a partir das
estatísticas oficiais, do estudo dos comportamentos
auto-destrutivos e da "autópsia psicológica",
um estudo retrospectivo realizado a partir
de entrevistas com elementos do universo relacional
da pessoa que morreu, no qual se procura definir
o papel que o indíviduo teve na sua própria
morte.
O quadro nº
1 mostra as taxas de suicídio (número
de suicídios por 100.000 habitantes por ano)
nalguns países europeus, e o quadro nº
2 refere as taxas de suicídio em Portugal.
Em Portugal a taxa global de suicídios tem
vindo a descer a partir de 1991, mas existe
uma assimetria regional significativa, com
as zonas a do sul do Tejo a terem taxas muito
elevadas. O sul de Portugal tem taxas globais
três a cinco vezes maiores que o Norte e o
distrito de Beja é a zona do país com maior
taxa.
Considerando agora os números do suícidio
juvenil (15/24 anos) os quadros nº
3 e nº
4 referem respectivamente o número de
suicídios e as taxas de 1980 a 1998.
| Anos |
TSG |
TSM |
TSF |
| 1980 |
7.38 |
11.21 |
3.92 |
| 1981 |
7.93 |
11.42 |
4.68 |
| 1982 |
8.40 |
12.18 |
4.89 |
| 1983 |
9.81 |
14.73 |
5.24 |
| 1984 |
10.33 |
14.91 |
6.07 |
| 1985 |
9.82 |
14.35 |
5.19 |
| 1986 |
9.40 |
13.92 |
5.19 |
| 1987 |
9.61 |
14.71 |
4.85 |
| 1988 |
8.22 |
12.96 |
3.80 |
| 1989 |
7.52 |
11.46 |
3.85 |
| 1990 |
8.79 |
13.46 |
4.45 |
| 1991 |
9.55 |
14.89 |
4.58 |
| 1992 |
8.78 |
13.25 |
4.62 |
| 1993 |
7.90 |
12.32 |
3.79 |
| 1994 |
7.70 |
12.31 |
3.41 |
| 1995 |
8.16 |
12.19 |
4.42 |
| 1996 |
6.58 |
10.27 |
3.15 |
| 1997 |
6.31 |
10.09 |
2.81 |
| 1998 |
5.58 |
8.67 |
2.71 |
|
Fonte: INE
TSG: (Taxa de suicídio global)
TSM: (Taxa de suicídio masculino)
TSF: (Taxa de suicídio feminino)
Quadro
nº 3
Número de suicídios dos 15-24
anos em Portugal
| Anos |
Nº
absoluto
Golbal |
Nº
absoluto
Masc. |
Nº
absoluto
Fem. |
| 1980 |
81 |
46 |
35 |
| 1981 |
94 |
53 |
41 |
| 1982 |
99 |
66 |
33 |
| 1983 |
122 |
79 |
43 |
| 1984 |
148 |
98 |
50 |
| 1985 |
122 |
81 |
41 |
| 1986 |
92 |
61 |
31 |
| 1987 |
104 |
80 |
21 |
| 1988 |
81 |
56 |
25 |
| 1989 |
76 |
58 |
18 |
| 1990 |
87 |
62 |
25 |
| 1991 |
75 |
58 |
17 |
| 1992 |
64 |
47 |
17 |
| 1993 |
52 |
36 |
16 |
| 1994 |
55 |
40 |
15 |
| 1995 |
72 |
48 |
24 |
| 1996 |
46 |
34 |
12 |
| 1997 |
43 |
34 |
9 |
| 1998 |
35 |
29 |
6 |
|
Fonte: INE
Quadro nº 4
Taxas de suicídio/100 000 hab. dos
15-24 anos em Portugal
| Anos |
Golbal |
Masc. |
Fem. |
| 1980 |
4.65 |
5.21 |
4.07 |
| 1981 |
5.72 |
6.40 |
5.03 |
| 1982 |
5.94 |
7.85 |
3.99 |
| 1983 |
7.28 |
9.35 |
5.18 |
| 1984 |
8.81 |
11.56 |
6.01 |
| 1985 |
7.27 |
9.56 |
4.94 |
| 1986 |
5.53 |
7.26 |
3.77 |
| 1987 |
6.33 |
9.63 |
2.95 |
| 1988 |
4.98 |
6.82 |
3.11 |
| 1989 |
4.71 |
7.11 |
2.26 |
| 1990 |
5.40 |
7.61 |
3.14 |
| 1991 |
4.63 |
7.08 |
2.12 |
| 1992 |
3.92 |
5.69 |
2.11 |
| 1993 |
3.17 |
4.34 |
1.98 |
| 1994 |
3.36 |
4.83 |
1.85 |
| 1995 |
4.42 |
5.84 |
2.98 |
| 1996 |
2.86 |
4.18 |
1.51 |
| 1997 |
2.72 |
4.26 |
1.15 |
| 1998 |
2.26 |
3.71 |
0.79 |
|
Fonte: INE (=OMS)
Definição de para-suicídio (OMS)- acto de
consequências não fatais no qual o indivíduo
inicia deliberadamente um comportamento que
de lhe causará dano, se não houver intervenção
de outrem, ou deliberadamente ingere uma substância
em excesso face à habitual prescrição ou uso
terapêutico reconhecido, para provocar alterações
que o sujeito desejou, apartir de consequências
reais ou esperadas. O gesto para-suicídio
imita assim o gesto suicida, mas não tem consequências
fatais.
Os para-suicidas são mais frequentemente jovens
do sexo feminino que utilizam métodos de baixa
letalidade (medicamentos, cortes superficiais),
mas é da maior importância estarmos atentos
a estes comportamentos, que indicam sofrimento
psicológico. A sua detecção e encaminhamento
pode evitar um gesto suicida fatal.
Nos gestos auto-destrutivos não fatais é essencial
verificar a sua gravidade, que pode ser detectada
a partir dos seguintes dados:
-
Método de alta
letalidade (enforcamento, arma de fogo)
-
Premeditação
e plano para evitar a descoberta
-
Sexo masculino
-
Presença
de depressão grave
-
Tentativas
de suicídio anteriores
-
Suicídios
na família.
O estudo das autópsias psicológicas permite
compreender os motivos que estiveram na base
do comportamento suicida. Saraiva (2000) resume
os perfis demográficos e clínicos desses comportamentos
que se têm mantido ao longo dos anos:
1. Mais frequente nos homens
que nas mulheres (2:1)
2. Presença de doença psiquiátrica em pelo
menos, 93% dos casos.
3. Patologia do humor (depressão, doença bipolar)
ou alcoolismo em 57-86 % dos casos
4. Doença terminal em 4-6% dos casos
5. Cerca de 66% comunicaram a intenção suicída
(40% de forma clara)
6. Cerca de 33% tiveram tentativas anteriores
de suicídio
7. Cerca de metade não tinham contactado técnicos
de saúde mental
8. 90% tinham contactado serviços de saúde
no último ano
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